Um ex-mórmon é uma pessoa que era um membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. As pesquisas mostram que nos Estados Unidos, cerca de metade das pessoas mudam de religião pelo menos uma vez durante a vida. Um estudo do Fórum Pew realizado em 2009 revelou o seguinte:
- A maioria das pessoas que mudam da religião de sua infância o faz antes dos 24 anos, e muitos destes mudam de religião mais de uma vez.
- Muitas das pessoas que deixaram uma religião e não se filiam a nenhuma outra, o grupo que mais cresceu, dizem que o fizeram em parte porque deixaram de acreditar nos ensinamentos de sua primeira fé. Muitos também citam a desilusão com as pessoas e instituições religiosas como os motivos para não procurarem uma nova religião.
Tal como acontece com todas as fés, a Igreja Mórmon perde e ganha membros o tempo todo. Embora as doutrinas da Igreja não mudem, mudam as práticas, e novas políticas são consideradas como os frutos da revelação recebida pelos líderes da Igreja. Algumas das pessoas que abandonam a Igreja se dizem desencantadas com as doutrinas, enquanto outras culpam as práticas religiosas como o principal motivo. Por exemplo, podemos citar o início da prática da poligamia no início do século 19. Alguns membros ficaram descontentes porque não concordavam com esta prática. Quando a prática da poligamia foi suspensa em 1890 (e a excomunhão para quem a praticava se tornou obrigatória em 1904), de acordo com o mesmo principio de revelação que a institui, alguns Santos dos Últimos Dias que discordavam decidiram deixar o corpo principal da Igreja e formaram seitas polígamas apóstatas, algumas das quais existem até hoje.
Alguns membros ficaram desiludidos com a posição da Igreja em relação aos direitos das mulheres e dos homossexuais. Alguns deixaram a Igreja, porque os negros não tinham o sacerdócio, e depois, quando o sacerdócio foi estendido a todo o homem digno independentemente de sua raça (em 1978 como resultado de uma revelação), alguns que não concordavam com a nova política tornaram-se descontentes. No entanto, a Igreja Mórmon ocupa a quarta posição entre as maiores religiões nos Estados Unidos e possui mais de 14 milhões de membros em todo o mundo e os jovens Mórmons são os que mais continuam na fé de seus pais.
Assim como outras religiões, aqueles que decidem abandonar a fé Mórmon têm muitas razões para fazê-lo. Ao contrário dos rumores, o livre-arbítrio é o princípio central do plano de Deus para nós, e a Igreja não faz lavagem cerebral ou procura coagir ninguém, embora as normas sociais e as expectativas familiares criam, como em qualquer cultura, sociedade ou religião, uma força para o conformismo. A Igreja enfatiza que devemos aprender a reconhecer e agir de acordo com os sussurros do Espírito Santo e usar o dom do Espírito Santo para receber confirmação pessoal sobre qualquer ensinamento do profeta ou da Igreja. Reconhecer o Espírito e viver de acordo com seus sussurros é um desafio para todos os filhos de Deus, uma jornada desafiadora, e alguns acham que é especialmente difícil. Difícil também, são os momentos em que coisas ruins acontecem a pessoas boas. Desafios espirituais podem resultar de desafios pessoais ou da perda de um ente querido, e isso pode acontecer a um membro de qualquer fé. Os membros também podem se sentir ofendidos pelas ações ou palavras de outros membros da Igreja.
As relações humanas são sempre cheias de desafios não importa qual seja a sua natureza. Um ex-mórmon pode odiar a Igreja, por exemplo, porque o seu bispo ou um membro da congregação disse algo que o ofendeu. A pessoa fica afastada, às vezes por anos, por causa de algo que realmente não tem nada a ver com o evangelho de Cristo. Ele se priva das bênçãos do reino, a fim de cuidar de suas feridas. Essas pessoas frequentemente acabam voltando à atividade na Igreja.
O Mormonismo é centralizado nos mandamentos de Deus, por isso o estilo de vida Mórmon possui alguns requisitos que outras religiões não compartilham. A Lei da Castidade simplesmente afirma que não devemos praticar nenhuma atividade sexual fora do casamento (que é a união legal entre um homem e uma mulher) e ser absolutamente fiéis ao nosso cônjuge. A Palavra de Sabedoria, a lei de saúde Mórmon, proíbe o uso de drogas, álcool, tabaco, café, chá e bebidas estimulantes. Os Mórmons pagam o dizimo que consiste em 10% de sua renda, e outras ofertas. A vida familiar elevada é uma parte central da doutrina da Igreja de Cristo. Por isso os membros solteiros, às vezes, podem se sentir excluídos. Há muitos pesquisadores da Igreja que acreditam em suas doutrinas, mas optam por não aderir à Igreja por acreditarem que o estilo de vida é muito “restritivo”.
Raramente, os membros da Igreja podem ser excomungados por causa de um pecado grave. Certos pecados são ainda mais graves quando cometidos por uma pessoa que fez os convênios no templo, já que ele ou ela está pecando contra a luz e conhecimento. Os pecados graves incluem fornicação, adultério, outros sérios pecados sexuais, crimes contra as leis da terra, e apostasia. A excomunhão tem o proposito de ajudar no processo de arrependimento, e teoricamente, a pessoa, sua família, e os líderes da igreja trabalham juntos para reabilita-la, de acordo com os mandamentos de Deus. O arrependimento inclui confessar o pecado a um líder de igreja, se possível restituir a pessoa a quem ofendemos com nossa atitude pecaminosa, abandonar o pecado, e nos esforçar para viver de acordo com os mandamentos bíblicos da castidade, temperança e honestidade. Tal como acontece com todos os procedimentos na Igreja, esta não esta ligada a nenhuma forma de coerção. Portanto, algumas pessoas optam por se comprometer com um estilo de vida que se opõe aos passos de recuperação de sua posição como membros da Igreja. Alguns até acham que a Igreja deveria mudar suas praticas para permitir que eles continuem sendo membros mesmo não se arrependendo de seus pecados.
A Igreja pode excomungar uma pessoa por apostasia, mas não por suas crenças. Um membro da Igreja pode ter crenças que não estão em consonância com a doutrina do evangelho e ainda ser um membro ativo da Igreja. Não há nenhum processo disciplinar, por “heresia”. A apostasia implica em fazer proselitismo dessas crenças, o que é destrutivo para o bem-estar dos outros membros e suas congregações.
É importante entender como a Igreja Mórmon difere de outras igrejas. A Igreja atual é a antiga Igreja de Cristo restaurada, e seu poder, autoridade e doutrinas vêm de Cristo através da revelação a um profeta. Assim, se uma pessoa discorda de suas doutrinas ou praticas e deseja de alguma forma que a Igreja mude para que se adapte melhor a suas crenças pessoais, isto não irá acontecer. A pessoa aceita ou rejeita o profeta e a Igreja. Se ele é um apóstata, ele certamente será mais feliz em outra fé ou sem nenhuma fé, para que possa então encontrar seu próprio caminho. Uma pessoa que aceita que o mormonismo é a igreja primitiva de Cristo restaurada e liderada por um profeta, poderia ainda ter seus problemas e desafios com vários aspectos do evangelho, mas continuará a esforçar-se para progredir em sua compreensão.
Infelizmente, porque Cristo conduz a Igreja, é difícil abandonar a Igreja sem se voltar mesmo contra Ele. Joseph Smith, fundador e primeiro profeta da Igreja restaurada, disse:
“Há uma inteligência superior concedida aos que obedecem ao Evangelho com pleno propósito de coração, mas quando o apóstata peca contra ela, fica privado e destituído do Espírito de Deus e, na verdade, está prestes a ser amaldiçoado, e seu fim é ser queimado. Quando a luz que neles havia lhes é tirada, eles se tornam tão tenebrosos quanto foram anteriormente iluminados, e não é de admirar que todo o seu poder seja dirigido contra a verdade e, tal como Judas, eles procurem destruir aqueles que foram seus maiores benfeitores”(Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, p.336).
Devido a isso, muitas vezes se tornam os ex-mórmon se tornam anti-mórmons. Em sua rebelião, eles procuram destruir a Igreja e justificar a si mesmos. Anti-Mórmons geralmente mentem sobre a Igreja assim como a respeito de suas doutrinas e práticas. Nos dias de Joseph Smith, os ex-mórmons que mentiram sobre a Igreja, as suas políticas e doutrinas, desencadearam graves perseguições aos membros da Igreja, resultando em perda de vidas e bens. Como o Profeta disse, estes foram os que receberam mais luz e então se viraram contra ela.


