Um livro recém-publicado afirma que evidências de DNA provam que o Livro de Mórmon, um dos livros de escrituras utilizado pela Igreja Mórmon, não é correto. O Livro de Mórmon afirma que os povos nativos da América são descendentes da Casa de Israel, mas as evidências de DNA, de acordo com o livro, apontam para a origem asiática desses povos.

Agora, os geneticistas fizeram cerca de 100 estudos genéticos em cerca de 75 dos 500 grupos conhecidos de nativos americanos. Seus resultados mostram que 100% dos pesquisados têm assinaturas genéticas que se assemelham aos asiáticos atuais. Mais uma vez, este livro afirma, este dado refuta o Livro de Mórmon.

Isso pressupõe, no entanto, que os Mórmons acreditam que a Casa de Israel são os únicos ancestrais dos nativos americanos. Mesmo o profeta Joseph Smith, fundador da Igreja Mórmon, nunca excluiu a possibilidade de que outras raças e povos teriam vivido no continente americano ao lado dos grupos relatados no Livro de Mórmon – tanto antes como depois deles. E, especialmente, após a queda da civilização nefita (talvez o principal grupo abordado no Livro de Mórmon), os casamentos inter-raciais podem ter tido um papel predominante. Nós não sabemos quão grandes eram as populações do Livro de Mórmon e quantos restaram depois da grande dizimação provocada pelas suas guerras. Outros povos que habitavam o continente americano, talvez mesmo em maior número, podem ter os assimilado e, através de casamentos mistos, o DNA judeu, ou do Oriente Médio pode ter sido praticamente eliminado ao longo dos séculos que se seguiram. Sendo assim, o DNA dos nativos americanos modernos poderia facilmente aparecer, ou mesmo ser, mais asiático do que proveniente do Oriente Médio.

Além disso, outros geneticistas afirmam que o método de usar o DNA para descobrir os ancestrais não é uma ciência exata e que o resultado pode ser afetado ou alterado por muitas variáveis.

 

Declaração oficial da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

“O Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo é exatamente o que ela afirma ser – um registro das relações de Deus com os povos da antiga América e uma segunda testemunha da divindade do Senhor Jesus Cristo. O mais forte testemunho do Livro de Mórmon deve ser obtido ao se viver os princípios centrados em Cristo que abundam em suas páginas e orando sobre a sua veracidade”.

“Os recentes ataques sobre a veracidade do Livro de Mórmon com base em provas de DNA são mal considerados. Nada no Livro de Mórmon impede que tenha existido uma migração para as Américas realizada pelos povos de origem asiática”.

Os Santos dos Últimos Dias Aceitam a Possibilidade da Existência de Outros Grupos

À luz dos recentes estudos recentes de DNA, os críticos do Livro de Mórmon têm insistido na idéia de que Joseph Smith (e por consequência os Mórmons) acredita que Abraão é o único ancestral dos nativos americanos. No entanto, nada que Joseph Smith disse exclui necessariamente a idéia de quaisquer outros antepassados. (Afinal, ninguém pode ter apenas uma ancestral).

“Em uma declaração feita em 1835, Joseph Smith descreveu a visita de um anjo a ele que havia ocorrido 12 anos antes: ‘Ele me falou de um registro sagrado que foi escrito em placas de ouro. Eu vi em visão o local onde elas haviam sido depositadas. Ele disse que os índios eram descendentes literais de Abraão”.

Em resposta ao comentário do profeta, Mathew Roper, um sociólogo da BYU, diz: “Meu trisavô foi John Whetten, mas não seria razoável supor que, ao fazer esta declaração que eu esteja declarando que não tenho outros antepassados. A declaração de Joseph Smith claramente permite que Abraão tenha sido um ancestral entre muitos outros”.

E, embora o seguinte tenha sido relatado por uma publicação Mórmon, ela representa a possibilidade de que os mórmons não foram os únicos a verem uma conexão entre a Casa de Israel e os nativos americanos. O periódico Times and Seasons, editado por Joseph Smith e John Taylor (que se tornaria no futuro um presidente da Igreja), cita uma história escrita por Don Juan Torres, neto do último rei da Maya, que afirmou que “os Toltecas eram descendente da casa de Israel, que foram libertados por Moisés da tirania de Faraó, e depois de atravessarem o Mar Vermelho, caíram em idolatria. Para evitar as reprovações de Moisés, ou por medo que lhes infligisse algum castigo, eles se separaram de seus irmãos… viajaram de um continente a outro, para um lugar que eles chamavam de sete cavernas, uma parte do reino do México”.

Hugh Nibley, um grande historiador SUD, encontrou algo ainda mais significativo. Embora o relato faça menção da ascendência israelita, representa um grupo completamente diferente daquele mencionado no Livro de Mórmon, viajando por um caminho completamente diferente. E Joseph Smith e John Taylor foram corajosos o suficiente para permitir que fosse publicado no Times and Seasons.

Em 1909, B.H. Roberts, um membro dos Setenta, acreditava que outros grupos poderiam muito bem ter visitado a costa americana, e que a migração de grupos asiáticos pelo o Estreito de Bering tenha sido muito provável. Ele ainda disse: “Os registros que agora possuímos, especialmente com relação aos jareditas, são histórias muito limitadas dessas pessoas. Assim, mesmo nos tempos dos jareditas e nefitas viagens poderiam ter sido realizadas da América para a costa da Europa, e nenhuma menção a isso tenha sido feita nem pelos nefitas assim como pelos jareditas nos registros que agora conhecemos”.

Hugh Nibley acreditava que Deus conduziu outros povos para as Américas. Ele diz: “O Livro de Mórmon profetiza a respeito de grandes coisas relacionadas ao passado e o futuro da terra prometida, mas nunca é descrita como uma terra desabitada. Os descendentes de Leí nunca foram às únicas pessoas no continente, e mesmo os jareditas nunca alegaram que a terra era desabitada”.

Outros estudiosos notam que, como a Bíblia, o Livro de Mórmon é o registro dos feitos de um pequeno grupo de pessoas em uma área específica. Nunca foi concebido para ser uma história completa de todos os povos americanos. A Bíblia está preocupada com os israelitas e as nações que estavam em contato com eles, seus amigos, vizinhos e inimigos. Não menciona grupos de fora de seu conhecimento imediato. Assim também o Livro de Mórmon.

Em 1961, Ariel Crowley, um estudioso do Livro de Mórmon declarou: “O Livro de Mórmon não é a história de todos os povos e feitos de épocas passadas no continente americano assim como a Bíblia não é a história de todos os povos e nações do Oriente. Cada um deles cobre seu próprio tempo e proveniência e não tem nenhuma pretensão além dessa… O Livro de Mórmon atesta a presença do sangue de Israel. Não pode por isso ser impugnada por provas externas da existência de outro sangue e outras imigrações, que foram encontradas nesta terra e se misturaram com os povos que ali viviam”.

Além disso, o próprio Livro de Mórmon não é um registro histórico completo nem mesmo dos povos de que se ocupa. É um registro resumido, cobrindo séculos, que foi compilado por Mórmon nos últimos anos de sua civilização. Ele consultou muitos registros e placas diferentes, as quais não temos acesso, ele selecionou apenas as informações (e em grande parte religiosa) essenciais para compor o livro que temos hoje. Das muitas placas que teve acesso, pode ter havido registro de outros grupos, mas esses registros não foram incluídos no trabalho final.

O Livro de Mórmon Pode Referir-se a Outros Grupos

No entanto, o Livro de Mórmon não nos deixa completamente sem evidências de que outras pessoas viviam nas Américas no mesmo período de tempo do grupo do Livro de Mórmon. O Livro de Mórmon segue a história da família de Leí e seus descendentes e, mesmo partindo do desembarque da família de Leí na costa americana, pode dar indícios do contato com outros povos. Em um ponto, Néfi, filho de Leí, foge para o deserto, porque seus irmãos mais velhos estavam tramando a sua morte, e diz: “Eu, Néfi, levei comigo minha família, e também Zoram e sua família, e Sam, meu irmão mais velho e sua família, e Jacó e José, meus irmãos mais jovens, e também minhas irmãs, e todos aqueles que me quiseram acompanhar. E todos aqueles que quiseram me acompanhar foram os que acreditavam nas advertências e revelações de Deus; portanto, deram ouvidos a minhas palavras”.

Néfi especifica claramente quem da sua família imediata fugiu com ele e cita também alguns outros. Quem está incluído em “todos aqueles que quiseram me acompanhar?” É possível que estes possam ter sido as pessoas que já viviam no continente, que acreditaram e seguiram Néfi. Neste momento, a família de Leí é dividida em dois grupos separados. “Néfi refere-se ao seu grupo como o ‘povo de Néfi’, um termo que pode sugerir uma sociedade mais ampla, incluindo mais pessoas que sua família imediata.”

Mais tarde, o Senhor fala a Néfi dessa maneira, “Consagrarei, pois, esta terra para sempre a vossa semente e aos que forem contados com a vossa semente, para que seja a terra de sua herança; porque é uma terra escolhida, diz-me Deus, acima de todas as outras terras; desejo portanto que todos os que nela habitarem me adorem, diz Deus”.

A seguinte declaração “aos que forem contados com a vossa semente” não é fornecida com mais detalhes, e parece novamente estranho que pessoas fora da família de Néfi sejam citadas, se não houvesse outros. Em qualquer caso, as Américas não parecem serem destinadas exclusivamente aos descendentes diretos de Néfi.

Os Testes de DNA Não São Plenamente Precisos

Os testes de DNA para determinar a ascendência de uma população moderna, é uma ciência relativamente nova – ainda em desenvolvimento. Como atestado pelo geneticista John Relethford, “Embora trabalhar em um campo tão jovem e em desenvolvimento seja emocionante, é também assustador, porque as bases do conhecimento mudam muito rapidamente”.

Ainda assim, um teste de DNA não pode determinar todas as linhagens genéticas anteriores. Apenas uma pequena fração da ancestralidade de alguém pode ser rastreada pelo procedimento atual – que envolve o teste do cromossomo Y, transmitido pelo sexo masculino, e o DNA mitocondrial, transmitido pelo feminino.

Na Islândia, geneticistas fizeram um bom número de testes de DNA que “traçavam as origens matrilineares e patrilineares de todos os 131.060 islandeses nascidos depois de 1972 e com antepassados nascidos entre 1848 e 1892 e a outros entre 1798 e 1742″. O estudo mostrou que um grande número de descendentes provenientes desses ancestrais foram enviesados, “com a grande maioria dos potenciais ancestrais contribuindo com um ou nenhum descendente e uma minoria contribuindo com um grande número de descendentes”.

Mesmo depois de apenas 150 anos, os testes de DNA não poderiam traçar com precisão os ancestrais desses 131.060 islandeses. Os testes deram a cada um deles um ou dois ancestrais comuns. Com base nesses resultados, não é difícil acreditar que o DNA de Leí e seus descendentes que passaram para os nativos americanos foram completamente fundidos com os deles.

Outro geneticista moderno explica que as limitações do uso de DNA mitocondrial (MDNA) para identificar as origens de toda a população:

  • O MDNA mitocondrial é passado da mãe para filho. No entanto, se uma mulher não teve filhas, ela não passaria em DNA mitocondrial, que é passado inteiramente através da linha materna. As gerações seguintes não teriam os marcadores genéticos dessa ancestral materna.
  • O DNA comum combina o DNA materno e paterno. O MDNA carrega sozinho apenas uma pequena parte. Por isso o MDNA não muda de geração em geração, o que o torna relativamente constante ao longo de séculos e, portanto, potencialmente muito útil. Mas o MDNA só pode dar uma visão limitada de um indivíduo ou de um grupo genético completo, uma vez que carece da maior parte de sua informação genética.
  • Se uma mulher se casa em um novo grupo, ela introduz seu MDNA na população e altera a estrutura genética das gerações futuras.

“Com isso em mente, vamos imaginar que temos na nossa frente dez gerações de uma árvore familiar começando da copa a raiz, ao longo de dez gerações. Se formos considerar apenas o MDNA, quando olhamos para qualquer individuo da décima geração na parte inferior do gráfico (que, podemos dizer, representa a geração atual), por causa das limitações acima descritas, nós, de modo algum, teremos uma exata compreensão da origem genética daquela população”.

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2 Respostas para “O DNA do Livro de Mórmon”

  1. Dulcireuda alves monteiro Diz:

    prezado(a),

    Obrigada pelos esclarecimentos. Sou uma pesquisadora de fatos e evidencias de tudo que envolve as “coisas” de Deus. Mas, meu conhecimento que Jesus é o Cristo, que sua igreja foi restaurada nos últimos dias, não sei disso só pela fé e sim pelo conhecimento.

    Obrigada.

  2. maravilhosa explicação Diz:

    O mal nunca descansa, sempre estará atento, pois os anjos de Deus também estará de prontidão à auxiliar os que necessitam de sabedoria.

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